terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

No picadeiro da vida

Desculpe o mau jeito, vai!
Não repara a bagunça.
Eh! Aqui tá um caos.
Tudo virado no avesso:
a terra remexida,
o chá que derramou,
o lençol adormecido,
coração que desandou.

Dele, ela pouco sabia.
Tinha ele, o circo e a menina.
Tinha distância.
Ele pra lá, ela pra cá.
Como pode o mais próximo se dar junto da distância mais distante?

Eh! O mundo tá mesmo estranho.
Anda tudo meio embolado!

Para ele, que a apreciou letra por letra,
das poucas que lhe foram possíveis,
por seus atributos externos
e a pinçou numa loja de departamentos,
isso tudo lhe parecia uma obra de ficção,
sim, uma brincadeira, uma zombaria.

Pra cá é Carnaval.
Bocas se beijam,
nos outros, no mundo,
nos sonhos...
O atirador de facas lança flores pela janela,
a bailarina rodopia na avenida,
o palhaço abraça a menina.

Ela costura retalhos:
lascas de fúria,
nacos de desejo,
fatias de ilusão.
Pedaços de você.