domingo, 28 de março de 2021


Eu me lambuzaria toda

No caramelo dos seus olhos 

Deslizaria minuciosamente
O voil translúcido 
Sobre sua nudez vigorosa

Intercalando suspiros

De cima à baixo

E vice-versa


Roçaria minha língua 
por sua orelha direita

Meus lábios úmidos

Na esquerda, ali no lóbulo sequioso

De trás pra frente 

E adiante


Sua boca molhada

Acalmaria meus seios sedentos

Por pouco, pois sou muitas

Todas elas juntas


Um animal
Ardente e fecundo


Me perderia em devoção
Ao teu dorso obsceno
Sussurraria palavras que 

Te despertariam

Ao longo
Atrás
No verso e reverso

 

Minhas pernas ávidas 
Trançariam seu corpo


E ainda que teu uivo 
suplicasse por descanso

Minha índole lasciva
Fecundaria teu sexo

 

E se a “Mãe da Lua”
Gritasse nessa madrugada
Sem dúvida

Seria sinal de bom agouro 

quinta-feira, 25 de março de 2021





É no entre que se instala o desejo

Nas (entre)linhas suturadas

Bem ali, no oco do alvo
No peito

Desfiando o interdito

Entre o carmim viscoso 

Rendado nos ossos

E as ramas coladas na pele