terça-feira, 5 de julho de 2022

 O que falar sobre a miséria humana? Que somos todos miseráveis condenados à infelicidade, vestidos de medo, pobres inertes, envergonhados de nossas contradições? Criaturas sedentas de morte, zumbis perplexos, demoníacos, traíras? Seres artificiais, autômatos, ainda assim mendicantes de um amor perdido no tempo? Cabras-macho, oprimidos, sádicos fodidos, travestidos? Sim, somos tudo isso e muito mais, é o que me faz viva, apesar de morta, doída e miserável. O cansaço me consome nesse turbilhão de esperança, espera, deixa seu corpo morto, só mais um pouquinho, ele aguenta, vai, calma, somos miseráveis, você, eu, não entende? Estamos quase lá, lá onde se foi um dia, lembra? Como assim? Porque você tá chorando? Não vê que tá tudo bem? Você sempre quer mais!!! Meu Deus que mulher exigente! Engole esse choro menina, pequenina, é assim que se faz, mulher! Ãhn? Sim, minha mulher! Isso não é um contrassenso. Porque você me questiona? Eu já não disse que tá tudo bem? Cuida da sua vida que eu tenho a chave do seu desejo, esta bem aqui ó, vc está quase, é só se comportar direitinho, meu docinho que te conto o que é que você deseja. Aqui sou eu quem dou as cartas! As cartas de um amor falido, de um desejo enterrado, morto, mas se você esperar mais um pouquinho eles hão de ressuscitar. Jesus há de voltar, meu amor!