domingo, 9 de junho de 2013

PASSAGEM


pássaro
passa
passando
pássaro
instiga
pousa
indagando
pássaro
voa
pássaro
torna
pássaro
tempo
pássaro
passa




sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ponto de intersecção

A destruição da carne
A digestão das feridas
Impressão corpórea
remetendo à guerra, ao acordar.

Comer a carne
Suculenta
Sangrenta
Para o alívio do corpo primordial
Para a alma animal

Pesadelo
Combate
Ruína
Devastação
Lenta digestão do horror

Corpos mutilados
Tudo amalgamado
A necessidade do álcool
Corpulenta como a da aliança

Compartilhar aflições
Vínculo estabelecido
Medos e desenganos
Parceria autorizada

Quem é você?
Um pouco de mim
Poder ser um pouco de você
Suavizar o peso de ser

Quase mortos existimos
Desabitados
No egocentrismo
Impedidos de amar
Condenados à solidão
Vagando em busca de nós mesmos

Devoro o outro
Absorvo seus conflitos
Anseio o próprio solver

Te rumino, carne alheia
Degluto-te
Regurgito fantasmas e horror

Eu queria falar de flores
Sepultar abismos
Mas os lírios tem cheiro de morte
Melancolia

Quero ser grata à existência
Mas a dor da angústia me assola
Me corrompe, me amola

A carne sangra
O sangue emana
Coração se despe

Eu queria falar de amores
De vida 
De borboletas e cores
Quero ser borboleta!

Cobras venenosas, peçonhentas
Traem-se a si mesmas

Eu queria falar de pureza
Mas que pureza insana
Incesto  
Loucura

Eu queria falar de amor
De olhar
Do seu olhar

Meu olhar reflete canções de vida e de morte
Palavra desnecessária
Palavra matéria
Matéria fala, língua

Eu queria falar do nosso olhar
Do conforto
De estar em você
E você em mim

Eu queria falar de estrelas, de orvalho
Eu queria falar de amor
Da intersecção.








domingo, 2 de junho de 2013





Quem és tu
Pássaro que me circunda
Que paira e sussurra
Quem é você
Menino de desenho doce
Cor que me aspira
Brilho que tinge
Sabor que me revolve