sábado, 16 de agosto de 2025
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
terça-feira, 5 de julho de 2022
O que falar sobre a miséria humana? Que somos todos miseráveis condenados à infelicidade, vestidos de medo, pobres inertes, envergonhados de nossas contradições? Criaturas sedentas de morte, zumbis perplexos, demoníacos, traíras? Seres artificiais, autômatos, ainda assim mendicantes de um amor perdido no tempo? Cabras-macho, oprimidos, sádicos fodidos, travestidos? Sim, somos tudo isso e muito mais, é o que me faz viva, apesar de morta, doída e miserável. O cansaço me consome nesse turbilhão de esperança, espera, deixa seu corpo morto, só mais um pouquinho, ele aguenta, vai, calma, somos miseráveis, você, eu, não entende? Estamos quase lá, lá onde se foi um dia, lembra? Como assim? Porque você tá chorando? Não vê que tá tudo bem? Você sempre quer mais!!! Meu Deus que mulher exigente! Engole esse choro menina, pequenina, é assim que se faz, mulher! Ãhn? Sim, minha mulher! Isso não é um contrassenso. Porque você me questiona? Eu já não disse que tá tudo bem? Cuida da sua vida que eu tenho a chave do seu desejo, esta bem aqui ó, vc está quase, é só se comportar direitinho, meu docinho que te conto o que é que você deseja. Aqui sou eu quem dou as cartas! As cartas de um amor falido, de um desejo enterrado, morto, mas se você esperar mais um pouquinho eles hão de ressuscitar. Jesus há de voltar, meu amor!
terça-feira, 12 de abril de 2022
Desviar, mudar a rota, deslocar
Desgarrar-se
Às vezes tão necessário
Abro os olhos, é no ranger dos ossos que o dia se anuncia
Da fresta da janela, um fio de luz entorpece meus tremores
Meus pés tocam a frieza do chão
A canção se repete, brado agudo que perfura a minha dor
Mastigo todo engano com mel e cardamomo
Amanhã insurreição!
domingo, 28 de março de 2021
Eu me lambuzaria toda
No caramelo dos seus olhos
Deslizaria minuciosamente
O voil translúcido
Sobre sua nudez vigorosa
Intercalando suspiros
De cima à baixo
E vice-versa
Roçaria minha língua
por sua orelha direita
Meus lábios úmidos
Na esquerda, ali no lóbulo sequioso
De trás pra frente
E adiante
Sua boca molhada
Acalmaria meus seios sedentos
Por pouco, pois sou muitas
Todas elas juntas
Um animal
Ardente e fecundo
Me perderia em devoção
Ao teu dorso obsceno
Sussurraria palavras que
Te despertariam
Ao longo
Atrás
No verso e reverso
Minhas pernas ávidas
Trançariam seu corpo
E ainda que teu uivo
suplicasse por descanso
Minha índole lasciva
Fecundaria teu sexo
E se a “Mãe da Lua”
Gritasse nessa madrugada
Sem dúvida
Seria sinal de bom agouro
quinta-feira, 25 de março de 2021
segunda-feira, 4 de maio de 2020
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Olhar-te-ei de frente, ilusão
Em devaneio, sonho, ficção
E antes de partirmos nos despiremos inteiros
Sem respostas nem perguntas sem sentido
Agora calemos, escuta!
Dar-te-ei o som dos meus olhos, translúcido
Não clame pela razão
Flutuaremos sem engano, só eu e você
Nos ares, lançaremos o tempo
Pra vivermos o que não foi
Em silêncio lembraremos o que esquecemos de lembrar
Reaprender a respirar o perfume do desejo
Que nos pede pra ficar
Na fusão do nosso olhar, nus
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Dançando no escuro
Escorrega
Pisa no pé
Entra em descompasso
Tropeça na melodia
Chuta a canela
Perde o rebolado
Encerra a valsa!
14 ou 15 horas sem/com você
horas por vezes calados
horas despidos de vestes
ora modestas couraças
Somos horas corpos em chamas
ora precisas mordaças
horas de pura quimera
ora efetivo clamor
Somos horas inteira quietude
ora tragados de dor
horas ausentes de nós
ora atados, amor
13 horas somos poesia
14 horas assim se vão
ora, ora
tantas horas em vão
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
No picadeiro da vida
Não repara a bagunça.
Eh! Aqui tá um caos.
Tudo virado no avesso:
a terra remexida,
o chá que derramou,
o lençol adormecido,
coração que desandou.
Dele, ela pouco sabia.
Tinha ele, o circo e a menina.
Tinha distância.
Ele pra lá, ela pra cá.
Como pode o mais próximo se dar junto da distância mais distante?
Eh! O mundo tá mesmo estranho.
Anda tudo meio embolado!
Para ele, que a apreciou letra por letra,
das poucas que lhe foram possíveis,
por seus atributos externos
e a pinçou numa loja de departamentos,
isso tudo lhe parecia uma obra de ficção,
sim, uma brincadeira, uma zombaria.
Pra cá é Carnaval.
Bocas se beijam,
nos outros, no mundo,
nos sonhos...
O atirador de facas lança flores pela janela,
a bailarina rodopia na avenida,
o palhaço abraça a menina.
Ela costura retalhos:
lascas de fúria,
nacos de desejo,
fatias de ilusão.
Pedaços de você.




