quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023


 

É preciso ser mutante

Escorrer pelas frestas do teu céu

Entre a luz dos teus anéis, suspenso está Saturno

E eu, mulher que sou

Desaguo imenso em ti



terça-feira, 5 de julho de 2022

 O que falar sobre a miséria humana? Que somos todos miseráveis condenados à infelicidade, vestidos de medo, pobres inertes, envergonhados de nossas contradições? Criaturas sedentas de morte, zumbis perplexos, demoníacos, traíras? Seres artificiais, autômatos, ainda assim mendicantes de um amor perdido no tempo? Cabras-macho, oprimidos, sádicos fodidos, travestidos? Sim, somos tudo isso e muito mais, é o que me faz viva, apesar de morta, doída e miserável. O cansaço me consome nesse turbilhão de esperança, espera, deixa seu corpo morto, só mais um pouquinho, ele aguenta, vai, calma, somos miseráveis, você, eu, não entende? Estamos quase lá, lá onde se foi um dia, lembra? Como assim? Porque você tá chorando? Não vê que tá tudo bem? Você sempre quer mais!!! Meu Deus que mulher exigente! Engole esse choro menina, pequenina, é assim que se faz, mulher! Ãhn? Sim, minha mulher! Isso não é um contrassenso. Porque você me questiona? Eu já não disse que tá tudo bem? Cuida da sua vida que eu tenho a chave do seu desejo, esta bem aqui ó, vc está quase, é só se comportar direitinho, meu docinho que te conto o que é que você deseja. Aqui sou eu quem dou as cartas! As cartas de um amor falido, de um desejo enterrado, morto, mas se você esperar mais um pouquinho eles hão de ressuscitar. Jesus há de voltar, meu amor!

terça-feira, 12 de abril de 2022

 


Desviar, mudar a rota, deslocar

Desgarrar-se

Às vezes tão necessário 

Abro os olhos, é no ranger dos ossos que o dia se anuncia

Da fresta da janela, um fio de luz entorpece meus tremores 

Meus pés tocam a frieza do chão

A canção se repete, brado agudo que  perfura a minha dor 

Mastigo todo engano com mel e cardamomo 

Amanhã insurreição!



domingo, 11 de abril de 2021


Trago da rua

Água

Flores

e

Pão

Sonhos...

De "Trilhos Urbanos"

"Bem dentro aqui"

Anoitece mais uma vez...

sábado, 10 de abril de 2021

domingo, 28 de março de 2021


Eu me lambuzaria toda

No caramelo dos seus olhos 

Deslizaria minuciosamente
O voil translúcido 
Sobre sua nudez vigorosa

Intercalando suspiros

De cima à baixo

E vice-versa


Roçaria minha língua 
por sua orelha direita

Meus lábios úmidos

Na esquerda, ali no lóbulo sequioso

De trás pra frente 

E adiante


Sua boca molhada

Acalmaria meus seios sedentos

Por pouco, pois sou muitas

Todas elas juntas


Um animal
Ardente e fecundo


Me perderia em devoção
Ao teu dorso obsceno
Sussurraria palavras que 

Te despertariam

Ao longo
Atrás
No verso e reverso

 

Minhas pernas ávidas 
Trançariam seu corpo


E ainda que teu uivo 
suplicasse por descanso

Minha índole lasciva
Fecundaria teu sexo

 

E se a “Mãe da Lua”
Gritasse nessa madrugada
Sem dúvida

Seria sinal de bom agouro 

quinta-feira, 25 de março de 2021





É no entre que se instala o desejo

Nas (entre)linhas suturadas

Bem ali, no oco do alvo
No peito

Desfiando o interdito

Entre o carmim viscoso 

Rendado nos ossos

E as ramas coladas na pele

quarta-feira, 15 de julho de 2020




       NAtuReza

       brisa do mAR


       fome de ARte


       sede de AR

sexta-feira, 12 de junho de 2020

segunda-feira, 4 de maio de 2020

FOTOGRAFIA

reflexo 
na diagonal
da vidraça
silhueta nua
na perspectiva 
insustentável
dos teus olhos

sexta-feira, 13 de março de 2020

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Olhos nus

Olhar-te-ei de frente, ilusão
Em devaneio, sonho, ficção
E antes de partirmos nos despiremos inteiros

Sem respostas nem perguntas sem sentido
Agora calemos, escuta!
Dar-te-ei o som dos meus olhos, translúcido
Não clame pela razão
Flutuaremos sem engano, só eu e você 
Nos ares, lançaremos o tempo
Pra vivermos o que não foi
As vozes bordadas na pele, desouviremos
E só teremos a luz do nosso olhar
Em silêncio lembraremos o que esquecemos de lembrar
Desaprender a desgostar
Reaprender a respirar o perfume do desejo
Nesse tempo e lugar
Que nos pede pra ficar
Na fusão do nosso olhar, nus

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Dançando no escuro

Tem vezes que a gente erra o passo
Escorrega
Pisa no pé
Entra em descompasso
Tropeça na melodia
Chuta a canela
Perde o rebolado
Encerra a valsa!

14 ou 15 horas sem/com você

Somos ora assim aliados
horas por vezes calados
horas despidos de vestes
ora modestas couraças

Somos horas corpos em chamas
ora precisas mordaças
horas de pura quimera
ora efetivo clamor

Somos horas inteira quietude
ora tragados de dor
horas ausentes de nós
ora atados, amor

13 horas somos poesia
14 horas assim se vão
ora, ora
tantas horas em vão


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

No picadeiro da vida

Desculpe o mau jeito, vai!
Não repara a bagunça.
Eh! Aqui tá um caos.
Tudo virado no avesso:
a terra remexida,
o chá que derramou,
o lençol adormecido,
coração que desandou.

Dele, ela pouco sabia.
Tinha ele, o circo e a menina.
Tinha distância.
Ele pra lá, ela pra cá.
Como pode o mais próximo se dar junto da distância mais distante?

Eh! O mundo tá mesmo estranho.
Anda tudo meio embolado!

Para ele, que a apreciou letra por letra,
das poucas que lhe foram possíveis,
por seus atributos externos
e a pinçou numa loja de departamentos,
isso tudo lhe parecia uma obra de ficção,
sim, uma brincadeira, uma zombaria.

Pra cá é Carnaval.
Bocas se beijam,
nos outros, no mundo,
nos sonhos...
O atirador de facas lança flores pela janela,
a bailarina rodopia na avenida,
o palhaço abraça a menina.

Ela costura retalhos:
lascas de fúria,
nacos de desejo,
fatias de ilusão.
Pedaços de você.





sexta-feira, 29 de abril de 2016



Meu amor
Nossa casa incendiou
Isso não importa
A porta não se fechou
A luz não se apagou
Ouço seus passos
Sinto seu cheiro