segunda-feira, 20 de maio de 2013

In Utero




Ó claustro que me envolve!
Ó corpo que me acolhe!

Sou no dentro
No dentro sou
Sou em ti

Ó carne que me avança!
Ó inconsciência que me vaga!

No dentro sou
Sou no dentro
Sou em ti

Expando-te matéria!
Expande-me criatura!

Ó pele que me acalma!
Ó ventre que me banha!

Repulsa-me ó corpo!

Expele-me ó vida!
Lança-me existência!






quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013



Por que tanto te incomoda
o que penso sobre ti
se o que importa
é a imagem que tu refletes
em teu próprio espelho?
Essa é a que te corrói
e te faz desmanchar
feito castelo 
que se dissolve
à beira do mar


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Menina de tranças



Menino,
porque choras tão docemente?
Choras sentimento
Que sentido tem choras?
Choras lágrimas de mel
De tão doce o seu chorar
Choro pela menina de tranças
Abraçou-me o seu olhar
E agora o que faço?
Foi-se ela a caminhar
Choro o leite da figueira
Choro o pranto do luar
Choro choro de esperança
De tocar aquelas tranças
Fico eu a me lembrar
Só me resta suspirar
Era lindo o seu olhar
Menino,
Longe está o seu mirar
Porque choras pranto doce?
Choro o perfume das flores
Rosa, lavanda e alecrim
Choro choro de alegria
Choro a doce fantasia
Choro a tal melancolia



sábado, 15 de setembro de 2012

Crime cometido por uma sociopata

A complexidade da mente é de causar horror a qualquer ser humano dono de um QI mediano. Agora não podemos confundir alhos com bugalhos! Há também os oportunistas que aproveitam dessa pseudo-complexidade para esconderem sua falta de caráter e culhão. Esses seres atrasados, geralmente os menos argutos, segundo estudo realizado na Inglaterra pela London School of Economics sobre monogamia, são os que apostam na infidelidade. No caso do crime em questão eu arriscaria em concluir que a deslealdade exerce o papel de garantia de satisfação de um ego ferido e segurança de cadeira cativa no status-quo. Vida agitada! Jardim das delícias, não fosse um único senão, o de deixar escapar por entre os dedos algo que não se enxergou o devido valor. Há de se eximir da culpa e depositá-la no tão manjado álibe da embriaguêz.


...então, D.Covardia tomou uns pileques e vestiu-se de ébria. Cometeu a tal transgressão, assassinato! Montou em sua bici e pôs-se linda e formosa!
D. Covardia é egocêntrica, incapaz de sentir amor ou afeição bem como seguir algum plano de vida, e pra completar, possui uma vida sexual impessoal!


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O negócio é o seguinte...



Sexo pelo sexo, na minha opinião faz-se com quem não se conhece. Quando você conhece, invariavelmente há envolvimento e junto à luxúria segue-se em anexo um número indeterminado de sensações, sentimentos, emoções, enfim, quase o dicionário completo de psicologia..."Hesitou em sair da casa quentinha e aconchegante. Num grau zero de ansiedade, meio macambúzia-sorumbática migrou direto para a toca do leão solitário. Primeira visita, flores para o recanto encantado colhidas do jardim da donzela. Bebidinhas pra cá, conversinhas pra lá e ela numas de assobiar para cima, na defensiva de qualquer possibilidade de ataque do animal no cio. Porque? Essa era a questão que ela mesma tentava decifrar, uma vez que devoraram-se tantas e tantas outras vezes. Talvez uma mescla de preguiça e receio do tal envolvimento que "batata" acontece em proporções maiores no momento da liga sexual quando já se concebeu certo grau de cumplicidade, o que no caso  oscilava, mas ela, sempre otimista, surpreendera-se com a própria taciturnidade..."


Continua...


..."Ele, docemente demonstrou sua complacência e despediram-se carinhosamente.Pela enésima vez ocorria uma confusão de sentimentos: desilusão, alívio, urgência em voltar para o útero. O jorro quente a penetrara e a arrebatara deixando-a num estado de plenitude extraordinária,  onde o calor e a difusão da presença interna eram definitivamente inexpressáveis para  ela e ininteligíveis para o homem.  A sensação da possível concepção espalhava-se em seu ventre inebriando-a, elevando-a a um estado de profundo êxtase.
Dúvidas, lascívias, desvios e fascínios arremataram o quadro subsequente.
Tragaram-se, feriram-se, absorveram-se...
Embebida em sangue vampiresco rasgou uma fatia da cortina que usou como saia para fugir do buraco negro em que se metera. Pulou a janela, amassou um papel achado próximo à boca de lobo e conseguiu calçar rapidamente o vão inferior que faltara para que a mesma não permanecesse aberta. Perfeito! Já passara da meia noite. A escuridão, a falta de qualquer presença e o ruído do salto das próprias botas provocaram um tilintar desconexo em seu órgão vital. Começou a entrar em pânico, apertou o passo enquanto o frio, como uma navalha, cortava seu rosto pálido e suas pernas desnudas. Que saudade sentia daquele peito majestoso onde muito recostou sua consciência e do braço que a envolveu durante tantas e inúmeras noites. Agora, estava ela numa situação tão periclitante que só mesmo D. Carmina para ajustar-lhe o eixo"...