terça-feira, 5 de julho de 2022

 O que falar sobre a miséria humana? Que somos todos miseráveis condenados à infelicidade, vestidos de medo, pobres inertes, envergonhados de nossas contradições? Criaturas sedentas de morte, zumbis perplexos, demoníacos, traíras? Seres artificiais, autômatos, ainda assim mendicantes de um amor perdido no tempo? Cabras-macho, oprimidos, sádicos fodidos, travestidos? Sim, somos tudo isso e muito mais, é o que me faz viva, apesar de morta, doída e miserável. O cansaço me consome nesse turbilhão de esperança, espera, deixa seu corpo morto, só mais um pouquinho, ele aguenta, vai, calma, somos miseráveis, você, eu, não entende? Estamos quase lá, lá onde se foi um dia, lembra? Como assim? Porque você tá chorando? Não vê que tá tudo bem? Você sempre quer mais!!! Meu Deus que mulher exigente! Engole esse choro menina, pequenina, é assim que se faz, mulher! Ãhn? Sim, minha mulher! Isso não é um contrassenso. Porque você me questiona? Eu já não disse que tá tudo bem? Cuida da sua vida que eu tenho a chave do seu desejo, esta bem aqui ó, vc está quase, é só se comportar direitinho, meu docinho que te conto o que é que você deseja. Aqui sou eu quem dou as cartas! As cartas de um amor falido, de um desejo enterrado, morto, mas se você esperar mais um pouquinho eles hão de ressuscitar. Jesus há de voltar, meu amor!

terça-feira, 12 de abril de 2022

 


Desviar, mudar a rota, deslocar

Desgarrar-se

Às vezes tão necessário 

Abro os olhos, é no ranger dos ossos que o dia se anuncia

Da fresta da janela, um fio de luz entorpece meus tremores 

Meus pés tocam a frieza do chão

A canção se repete, brado agudo que  perfura a minha dor 

Mastigo todo engano com mel e cardamomo 

Amanhã insurreição!



domingo, 11 de abril de 2021


Trago da rua

Água

Flores

e

Pão

Sonhos...

De "Trilhos Urbanos"

"Bem dentro aqui"

Anoitece mais uma vez...

sábado, 10 de abril de 2021

domingo, 28 de março de 2021


Eu me lambuzaria toda

No caramelo dos seus olhos 

Deslizaria minuciosamente
O voil translúcido 
Sobre sua nudez vigorosa

Intercalando suspiros

De cima à baixo

E vice-versa


Roçaria minha língua 
por sua orelha direita

Meus lábios úmidos

Na esquerda, ali no lóbulo sequioso

De trás pra frente 

E adiante


Sua boca molhada

Acalmaria meus seios sedentos

Por pouco, pois sou muitas

Todas elas juntas


Um animal
Ardente e fecundo


Me perderia em devoção
Ao teu dorso obsceno
Sussurraria palavras que 

Te despertariam

Ao longo
Atrás
No verso e reverso

 

Minhas pernas ávidas 
Trançariam seu corpo


E ainda que teu uivo 
suplicasse por descanso

Minha índole lasciva
Fecundaria teu sexo

 

E se a “Mãe da Lua”
Gritasse nessa madrugada
Sem dúvida

Seria sinal de bom agouro 

quinta-feira, 25 de março de 2021





É no entre que se instala o desejo

Nas (entre)linhas suturadas

Bem ali, no oco do alvo
No peito

Desfiando o interdito

Entre o carmim viscoso 

Rendado nos ossos

E as ramas coladas na pele

quarta-feira, 15 de julho de 2020




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