O que falar sobre a miséria humana? Que somos todos miseráveis condenados à infelicidade, vestidos de medo, pobres inertes, envergonhados de nossas contradições? Criaturas sedentas de morte, zumbis perplexos, demoníacos, traíras? Seres artificiais, autômatos, ainda assim mendicantes de um amor perdido no tempo? Cabras-macho, oprimidos, sádicos fodidos, travestidos? Sim, somos tudo isso e muito mais, é o que me faz viva, apesar de morta, doída e miserável. O cansaço me consome nesse turbilhão de esperança, espera, deixa seu corpo morto, só mais um pouquinho, ele aguenta, vai, calma, somos miseráveis, você, eu, não entende? Estamos quase lá, lá onde se foi um dia, lembra? Como assim? Porque você tá chorando? Não vê que tá tudo bem? Você sempre quer mais!!! Meu Deus que mulher exigente! Engole esse choro menina, pequenina, é assim que se faz, mulher! Ãhn? Sim, minha mulher! Isso não é um contrassenso. Porque você me questiona? Eu já não disse que tá tudo bem? Cuida da sua vida que eu tenho a chave do seu desejo, esta bem aqui ó, vc está quase, é só se comportar direitinho, meu docinho que te conto o que é que você deseja. Aqui sou eu quem dou as cartas! As cartas de um amor falido, de um desejo enterrado, morto, mas se você esperar mais um pouquinho eles hão de ressuscitar. Jesus há de voltar, meu amor!
terça-feira, 5 de julho de 2022
terça-feira, 12 de abril de 2022
Desviar, mudar a rota, deslocar
Desgarrar-se
Às vezes tão necessário
Abro os olhos, é no ranger dos ossos que o dia se anuncia
Da fresta da janela, um fio de luz entorpece meus tremores
Meus pés tocam a frieza do chão
A canção se repete, brado agudo que perfura a minha dor
Mastigo todo engano com mel e cardamomo
Amanhã insurreição!
domingo, 28 de março de 2021
Eu me lambuzaria toda
No caramelo dos seus olhos
Deslizaria minuciosamente
O voil translúcido
Sobre sua nudez vigorosa
Intercalando suspiros
De cima à baixo
E vice-versa
Roçaria minha língua
por sua orelha direita
Meus lábios úmidos
Na esquerda, ali no lóbulo sequioso
De trás pra frente
E adiante
Sua boca molhada
Acalmaria meus seios sedentos
Por pouco, pois sou muitas
Todas elas juntas
Um animal
Ardente e fecundo
Me perderia em devoção
Ao teu dorso obsceno
Sussurraria palavras que
Te despertariam
Ao longo
Atrás
No verso e reverso
Minhas pernas ávidas
Trançariam seu corpo
E ainda que teu uivo
suplicasse por descanso
Minha índole lasciva
Fecundaria teu sexo
E se a “Mãe da Lua”
Gritasse nessa madrugada
Sem dúvida
Seria sinal de bom agouro


