Ponto de intersecção
A destruição da carne
A destruição da carne
A digestão das feridas
Impressão corpórea
remetendo à guerra, ao acordar.
Comer a carne
Suculenta
Sangrenta
Para o alívio do corpo primordial
Para a alma animal
Pesadelo
Combate
Ruína
Devastação
Lenta digestão do horror
Corpos mutilados
Tudo amalgamado
A necessidade do álcool
Corpulenta como a da aliança
Compartilhar aflições
Vínculo estabelecido
Medos e desenganos
Parceria autorizada
Quem é você?
Um pouco de mim
Poder ser um pouco de você
Suavizar o peso de ser
Quase mortos existimos
Desabitados
No egocentrismo
Impedidos de amar
Impedidos de amar
Condenados à solidão
Vagando em busca de nós mesmos
Devoro o outro
Absorvo seus conflitos
Absorvo seus conflitos
Anseio o próprio solver
Te rumino, carne alheia
Degluto-te
Regurgito fantasmas e horror
Eu queria falar de flores
Sepultar abismos
Mas os lírios tem cheiro de morte
Melancolia
Quero ser grata à existência
Mas a dor da angústia me assola
Me corrompe, me amola
A carne sangra
O sangue emana
Coração se despe
Eu queria falar de amores
De vida
De borboletas e cores
Quero ser borboleta!
Cobras venenosas, peçonhentas
Traem-se a si mesmas
Eu queria falar de pureza
Mas que pureza insana
Incesto
Loucura
Loucura
Eu queria falar de amor
De olhar
Do seu olhar
Meu olhar reflete canções de vida e de morte
Palavra desnecessária
Palavra matéria
Matéria fala, língua
Eu queria falar do nosso olhar
Do conforto
De estar em você
E você em mim
Eu queria falar de estrelas, de orvalho
Eu queria falar de amor
Da intersecção.
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